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Essas Outras Mães...
Não há um “Dia das Mães” que eu não me lembre de Maria Preta. E, já se vão muitos anos...
Idade avançada, pobre, sem recursos, era assistida pelo centro espírita ao qual sou filiada, com cestas de alimentos mensalmente.

Mãe Preta de Segall
Apesar de anêmica, magra, a própria imagem da desolação, Maria Preta tinha um brilho vivo, especial, nos olhinhos miúdos... principalmente quando o assunto era o seu filho João, que se encontrava preso na cadeia pública de Ribeirão Preto. Para a Justiça, apenas mais um réu condenado, a cumprir pena pelos delitos cometidos, para a sociedade um criminoso, um bandido, e , para Maria Preta, ele era o filho muito bom, que se extraviara pelos caminhos da vida ... Seus olhos lacrimejavam....

Desde que seu filho fora detido, Maria não deixara um domingo sequer de visitá-lo no Presídio, levando-lhe frutas, pães e seu amor.
Suportando humilhações e privações, Maria Preta, analfabeta, conhecia perfeitamente inúmeros artigos do Código Penal. Já havia conversado com advogados do Estado, e delegados a fim de conseguir para o seu João algum benefício. Defendia o filho, como nenhum advogado fora capaz de fazê-lo.

Não só essa mãe , mas muitas outras mães de presidiários, lá se encontravam, sob o sol escaldante dessa época do ano, frente ao portão de entrada do Presídio para a visita domingueira aos filhos detidos, mas, esse domingo era especial para todas elas: Era o “Dia das Mães”!
Nesse quadro tão comum, observava-se o grande conhecimento dessas mulheres sobre prisão albergue, domiciliar,livramento condicional, processos....E ao traçar um perfil das mães de presidiários, me pergunto: que amor é esse dessas mulheres, que mesmo na penúria, surradas e alquebradas, não desistem de amar esses filhos corrompidos pelos vícios, que tudo hão feito para não merecer esse amor?

Penso que a resposta a essa e a outras indagações, só pode ser a força da expressão de amor, força unitiva da natureza, conseqüencia da Grande Força Motriz, que vivica e, se desdobra na maternidade ou na paternidade, o amor que gera e protege, sacrifica-se e doa-se até a exaustão.
É a mesma força da atração dos átomos
para formar a molécula, as das moléculas
formando as células, das
células compondo os órgãos....E o animal que apóia a prole e a defende,
também ama, na forma de instinto,
enquanto no homem,
possuidor da razão, exterioriza-se com lucidez e cuidados.
Em frente ao Presídio, a espera
do momento em que o portão
seria aberto para Maria Preta
e as outras Marias, na sombra densa
onde reinam a ameaça e a
solidão dos desajustados
perante a Lei, o amor, acende luz e
drena o charco, altera a paisagem,
que se faz claridade de jardim
e perfumes.
Quando a criatura humana atingir o aprendizado do amor incondicional só possível ainda entre as mães, o seu amor, edificará escolas e oficinas de trabalho, libertando vidas, por ser a força do Bem inteiramente livre e plenificadora.
Maria Preta faleceu há cinco anos e não irá visitar o seu João nesse “Dia das Mães”. Não vestindo o seu corpo de carne. Mas vestindo a luminosidade de uma Estrela, sem dúvidas!

Estrela Guia
Quando criança olhando o céu,
minha mãe dizia:
As estrelas têm nomes que alguém lhes deu.
E que elas todas têm um brilho próprio, seu.
Olhe o brilho da Estrela D’alva, a Estrela Guia!
Aquelas juntinhas, três irmãs – as Três Marias!
Veja a Estrela da Manhã, já se acendeu!
Meu filho, as estrelas são feitas por Deus
Que vai criando todas elas durante o Dia!
Durante o dia, um dia minha mãe morreu.
De perto de mim ela desapareceu,
E na Terra uma estrela se extinguia
E quando a noite escura chegou como um breu,
Olhando para as belas estrelas do céu
Então, vi uma nova estrela que surgia!
Guilherme Travassos Sarinho
Simplesmente Lu...(Maria Lucia)
Abraços fraternos! Até a próxima....
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